Alguém chamou a Europa de velha – a Velha Europa – como um apelido debochado. Eu amo a velha Europa, a boa e velha Europa que respira a história real, esta da vida cotidiana, surpreendente e a mesma, no mesmo. Mais que os edifícios, ruas, praças e chuvas, amo a Europa que se divide em tantas “fotografias” de costumes e culturas, em um mesmo caldo melancólico e soturno. Esta aparente decadência-renascimento em todos os lugares, a sensação de impermanência destas cidades e gentes tão evidentes em todas as casas e rostos, de Munique a Lisboa, Paris… O Verão está quase a dar seu “até logo”… Ninguém vive o Verão como o europeu e já há uma certa saudade no ar. As aulas logo recomeçarão, o vento esfriará, o frio voltará constante e cortante, a chuva que ao invés de baixar, eleva a temperatura… Botas, cachecóis, a pele grossa pelo frio e por camadas e mais camadas de roupas quentes… Na Europa, quando o Verão termina é como se a vida voltasse ao normal, com o Sol e a Lua nascendo no horário certo, o trânsito correndo na velocidade certa, as luzes brilhando como devem ser. É como voltar para casa, cansada e contente, depois de uma grande festa. O apartamento em Paris, do designer de sapatos Rodolph Menudier fez-me ver a velha, familiar, intrigante e amada Europa como a sinto todos os dias. Carregada de símbolos, moderna, boémia, misturando beleza às desarrumações do cotidiano – sem medo da impermanência, porque afinal ela pode nem existir.
Este não é um apartamento em Paris, é o apartamento de Paris.











